
Manga
One Piece
Manga
One Piece: Entre a Admiração e o Cansaço
68Boy, se eu fosse comentar, acabaria me prendendo ao que mais me marcou.
Tive a impressão de que OP faz em 20 capítulos o que um shounen qualquer resolveria em 10. Não sei exatamente se isso é algo positivo ou negativo, ou mesmo se faz tanta diferença assim. Particularmente, sinto que não, mas acredito que existam pessoas que encontrem valor nisso. Digo... Nas mãos de outro autor, OP provavelmente teria metade da extensão que tem hoje e, ainda assim, chegaria a conclusões parecidas. Ao mesmo tempo, reconheço que essa construção mais lenta permite que o leitor passe mais tempo com os personagens e com o mundo. Talvez seja justamente aí que resida parte do encanto da obra para tanta gente. Ainda assim, não foi algo que me impactou muito. Em diversos momentos tive a sensação de que a narrativa estava constantemente adiando recompensas que outros mangás entregariam de maneira mais direta. Não considero isso necessariamente um defeito, mas também não senti que a obra estivesse me oferecendo algo tão especial a ponto de justificar esse ritmo mais arrastado. Em vários trechos eu estava interessado, em outros apenas avançando os capítulos esperando chegar ao próximo grande acontecimento.
No mais, queria mencionar algo que me incomoda: não sei com que frequência isso acontece, mas o Oda por vezes falha miseravelmente em dar peso às consequências dos próprios eventos. Em Skypea, por exemplo, há uma sequência em que ele mostra crianças falando sobre seus pais e o orgulho que sentem deles, enquanto Enel está espalhando o caos pela ilha e tudo leva a crer que diversas pessoas estão morrendo.
Na minha visão, o Oda sequer precisava incluir uma cena como essa. Não me lembro de algo semelhante ter sido trabalhado antes e, justamente por isso, ela me impactou bastante. Pela primeira vez senti que o arco estava tentando enfatizar não apenas a aventura em si, mas também o custo humano daquela situação. Aquela breve conversa das crianças me pareceu uma tentativa deliberada de aproximar o leitor da tragédia que estava acontecendo.
O problema é que, no último capítulo do arco, está simplesmente todo mundo bem. Inclusive um dos personagens relevantes da história — o pai da menina —, que parecia ter morrido, reaparece sem maiores consequências. Incrível, Oda.
E não é nem uma questão de eu querer mortes por puro choque ou violência gratuita. O ponto é que a própria narrativa construiu uma expectativa dramática. Ela dedicou tempo para mostrar o medo, a dor e a possibilidade real de perda. Quando tudo isso é revertido quase instantaneamente, a sensação que fica é de que o investimento emocional foi desperdiçado.
Sinceramente, não entendi por que ele se deu ao trabalho de construir algo assim se, no fim das contas, não serviu para nada. Todo o impacto acumulado acaba sendo esvaziado. A cena continua boa isoladamente, mas perde muito da força quando olhada em retrospecto.
Enfim, vou dropar OP por enquanto. Não sei se voltarei, mas estou em um ritmo bem ruim de leitura e essas pequenas transições que antecedem os grandes arcos costumam me cansar bastante. E, no momento, estou justamente em uma delas. Talvez eu retorne no futuro, porque ainda reconheço qualidades na obra e entendo por que ela conquistou tanta gente. Mas, por ora, sinto que é melhor dar um tempo do que continuar lendo sem verdadeiro entusiasmo.
