
Manga
Nice Prison
Manga
Seu amigo deixaria você enfiar a mão no cu dele para salvar o mundo?
22Faz alguns anos que eu venho tentado ativamente reverter a minha pecha de "inimigo da comédia". Como eu sou um absoluto desconhecido, ninguém sabe disso, mas alguns amigos veem isso. Isso sequer fazia parte desse plano, mas como eu também tenho tentado ler toda a Jump semanalmente, a gente se depara com uma comédia estúpida aqui e ali. E a revista realmente tem algumas dessas comédias estúpidas, que são um monte de absurdos proferidos um atrás do outro, sem muita coerência ou preocupação com enredo, enquanto emulam um jeito meio battle-shonen de fluir a narrativa. Com arcos, e tal. Nice Prison é meio que um filho disso. Tirando os mangás horríveis do Ihara Daiki, eu não li muitos mangás de comédia na vida. Lembro de cabeça de alguns e é provável que olhando a tag Comedy aqui no AniList eu encontre coisas tipo One Piece e Dandadan, que são, em grande parte, muito bem humorados e leves, com várias piadinhas, mas são muito mais ação que comédia. Agora um mangá focado e estruturado em cima de comédia, piadas e qualquer outro subterfúgio pra te fazer rir, foram poucos que eu li.
Nice Prison conta a história de Mitsuboshi Horo, um "prisioneiro estrela", fato que está em seu nome, o prisioneiro mais exemplar da Prisão-Que-Eu-Esqueci-O-Nome. Ele nasceu naquela prisão e, por algum motivo, viveu toda a sua vida lá. Apesar de aparentemente não ter feito nada, ele cumpre uma pena e continua sendo sentenciado, cumprindo suas funções com rigor. Ele guia Tera Adachi, uma policial carcerária recém-formada que foi designada pra prisão e que quer honrar a profissão que foi de seu falecido pai. A Tera é a nossa orelha, por quem vamos adentrando o mundo da prisão maluca e conhecendo o núcleo bastante extenso de personagens imbecis. Rodeada por milhares de prisioneiros completamente estúpidos e ridículos, Tera vai tentando se entender no meio daquela maluquice e, acredito eu, era pra ir descobrindo que existe um pouco de humanidade e decência em alguns dos presos e que não era exatamente pelo fato deles serem condenados que eles são menos pessoas. Ou não.
Toda piada, em algum sentido, te direciona para alguma ideia central, algo que não faz necessariamente parte da piada. Afinal, humor e escárnio muitas vezes são recursos de crítica, então alguns temas podem ser extraídos. Não acho que isso aconteça em Nice Prison, claro. É um mangá que não durou nem 20 capítulos, então ele sequer tentou algo que não fosse sobreviver na revista, mas existem algumas poucas, muito sutis pinceladas durante a série de que a maioria daqueles idiotas que estavam presos são seres humanos comuns, com alguma capacidade de emoção e também com o mínimo direito à dignidade. Quando eu vi uma série de um prisioneiro exemplar que põe outros presos na linha, eu imaginei uma coisa meio autorepressora e muito paga-pau da polícia, mas não! Claro, o mangá não é abolicionista penal, mas ele defende uma coisa simples, que é a aplicação de direitos humanos. O prisioneiro exemplar garante o trabalho do carcereiro, mas também garante a integridade dos outros presos, então vai, é algo até que interessante. Nada disso é claro, e eu que estou fazendo um esforço meio inútil de tirar algo de mais significativo de uma comédia ruim.
Humor é subjetivo, claro. Vai depender de cada um se ri ou não das piadas. Como eu não tenho muito mais coisa para dizer, vou elencar aqui as piadas que conseguiram me fazer esboçar uma bela sorrisa:
- O Kasetaro, que é um grilhão com bigodes e pernas, ele é, fácil, o melhor personagem
- O soco-fisting com o Horo enfiando a mão no cu do Kasetaro, coisa que escalona mais quando no final o pai do Horo enfia a mão no cu dele pra usar ele de soco-fisting enquanto ele usa o soco-fisting; é um inception de soco fisting
- Tem um momento em que o Horo é transformado em um chimpanzé e a Tera precisa fazer um discurso motivacional pra recuperá-lo e, no fim, ele não era um chimpanzé
- Uma das vilãs finais é apenas uma tia comum, atendente de padaria, que entrou no grupo do mal pra tapar buraco e foi ficando
Não é muita coisa engraçada, sendo bem honesto. Ali pelo capítulo 10 ou 12 - metade da história, tecnicamente - já foi ficando claro que o mangá seria fatalmente ceifado da revista, o que deu ainda menos vontade de investir meu intelecto na história. Ele ainda fica vários capítulos sem o Kasetaro, que é uma bobeira ridícula quase que fundamental pra história, e olha que ele mal tem graça. E de resto a gente fica nisso aí, enfrentando vilões não muito criativos e sequer muito cativantes. Exatamente nessa parte, a gente conhece a Liga-de-Prisioneiros-Malvados, que é liderada justamente pelo pai do Horo, que é o um prisioneiro condenado a morte e que quer transformar o mundo inteiro numa prisão e, por isso, precisa ser detido. E aí a história cria o seu objetivo e segue nele até o final. Sem sal até o último minuto.
O usuário NaruMembrane conseguiu exprimir bem o sentimento do quanto ele odiou o mangá na única outra review que existe aqui, mas pra ser sincero, eu achei o mangá tão fraco que ele não foi o suficiente sequer para me despertar ódio ou uma energia efusivamente negativa para que eu desabasse. Tem a ver com a forma que eu escrevo e estruturo meus textos também, mas o fato dessa parecer uma review extremamente sem graça, também é um reflexo do que esse mangá realmente é, um mangá fraco. E mangás fracos são esquecidos facilmente.
